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Fundação Banco do Brasil firma convênio com a Cooperbio e amplia apoio à agroecologia em Seberi
Parceria integra o Programa Ecoforte, destina recursos para redes de produção orgânica, foi assinada durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária
Por: Redação
Publicado em: quarta, 18 de março de 2026 às 08:49h
Atualizado em: quarta, 18 de março de 2026 às 09:01h

A Fundação Banco do Brasil assinou convênio com a Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil (Cooperbio) para fortalecer iniciativas de produção agroecológica no Rio Grande do Sul. O investimento de R$ 1,8 milhão integra o projeto “Ecoforte Redes: Estruturação e Fortalecimento da Rede Alimergia”. A solenidade ocorreu durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária, realizada no último sábado, 14, em Seberi. O evento reuniu agricultores familiares, organizações sociais, pesquisadores e representantes de instituições públicas.

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O convênio faz parte do Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica, iniciativa apoiada pela Fundação Banco do Brasil em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O programa financia projetos coletivos voltados à produção orgânica, ao manejo sustentável da sociobiodiversidade e ao fortalecimento de redes de agricultores. A presidente da Cooperbio, Luiza Pigozzi, destacou o papel estratégico da cooperativa na promoção da agroecologia e da economia solidária na região. Segundo ela, a festa da semente é um espaço de troca de conhecimentos, sementes e experiências que fortalece a agricultura familiar camponesa. “Este evento mostra a força da cooperação entre agricultores, organizações sociais e instituições públicas. Com o apoio da Fundação Banco do Brasil, conseguimos ampliar redes de produção orgânica e consolidar projetos que promovem a soberania alimentar e o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Fundação Banco do Brasil destaca impacto social dos projetos
O presidente da Fundação Banco do Brasil, André Castelo Branco Machado, participou da cerimônia e afirmou que o programa busca apoiar iniciativas capazes de transformar a realidade da agricultura familiar. “Para a Fundação Banco do Brasil foi muito importante conhecer essa experiência aqui na região. São iniciativas que utilizam insumos e tecnologias capazes de alterar a realidade e as estruturas da produção da agricultura familiar. É justamente nesse tipo de projeto que a gente acredita”, afirmou o presidente da Fundação BB. Segundo André Castelo Branco Machado, o objetivo é ampliar o alcance de experiências desenvolvidas pelas comunidades rurais. “A Fundação trabalha para multiplicar conhecimentos e tecnologias sociais. É isso que vemos aqui: experiências que podem ser replicadas e que ajudam a fortalecer a agricultura familiar”, disse. Machado também destacou o volume de recursos destinados ao programa em todo o país. “Nós ajudamos a construir esses projetos do Ecoforte, que investiram R$ 84 milhões neste último edital. A agricultura familiar é fundamental para o país e para a construção da soberania alimentar”, afirmou.

Evento reúne agricultores e autoridades
A programação reuniu agricultores, cooperativas, movimentos sociais e representantes de instituições públicas. Autoridades municipais também participaram da solenização. O vice-prefeito de Seberi, Adalberto Pegoraro, destacou a parceria entre o poder público e as organizações ligadas à agricultura familiar. “Estamos aqui nesta grande festa da semente crioula, que reúne agricultores e representantes de várias regiões. A Prefeitura de Seberi é parceira da Cooperbio e seguimos trabalhando juntos em prol dos pequenos agricultores do município”, afirmou. Segundo Pegoraro, que representou o prefeito seberiense Adilson Balestrin, o evento também demonstra a dimensão que a iniciativa alcançou ao longo dos anos. “Temos participantes de diferentes regiões do Brasil e também visitantes de outros países. É um evento que fortalece a agricultura familiar e valoriza o trabalho das famílias do campo”, destacou.

Agricultura camponesa e legado de organização
O diretor nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Marcelo Leal, destacou que as iniciativas desenvolvidas na cooperativa fazem parte de um processo coletivo de organização da agricultura camponesa. Leal também lembrou o legado do líder camponês Frei Sérgio Görgen, que faleceu em 3 de fevereiro deste ano, aos 70 anos. “Frei Sérgio deixa um legado importante na construção de políticas públicas e no trabalho com a agricultura familiar camponesa. Ele ajudou a construir esse espaço e esse processo de organização que hoje permite iniciativas como essa”, afirmou.
Segundo Leal, a estrutura em implantação permitirá ampliar alternativas produtivas no campo. “Visitamos a área onde será instalada a fábrica de fertilizante orgânico e também a biofábrica. A proposta é produzir bioinsumos a partir de bactérias capazes de substituir fertilizantes químicos e agrotóxicos”, explicou.

Conab destaca preservação das sementes crioulas
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, também participou do evento e destacou o papel das sementes crioulas na autonomia das famílias agricultoras.
“Esse ambiente nos traz às nossas origens. Em momentos como esse eu lembro da minha mãe, Dona Autília, que mobilizava os filhos para cuidar da horta e plantar o que iria para o nosso consumo. Ela sempre tinha a preocupação de guardar a sementinha numa vasilha, numa vidrinha ou numa garrafinha para fazer o plantio seguinte”, relatou. Segundo Pretto, a preservação dessas sementes representa autonomia para os agricultores. “A festa da semente é exatamente isso: garantir a autonomia das famílias para que não dependam de sementes importadas ou de empresas que controlam a produção no mundo”, afirmou. Pretto também citou iniciativas voltadas à preservação dessas sementes.
“Dentro do Programa de Aquisição de Alimentos instituímos o PAA Sementes, que compra sementes produzidas pela agricultura familiar e distribui gratuitamente para outras famílias que desejam plantar e manter esse processo de preservação das sementes crioulas”, disse.

Pesquisa reforça preservação da biodiversidade
O evento também contou com a participação de pesquisadores ligados à conservação da biodiversidade agrícola. Entre eles esteve o pesquisador Gilberto Antonio Peripolli Bevilaqua, da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas. Segundo Bevilaqua, a troca de sementes crioulas é fundamental para manter a diversidade genética das culturas agrícolas. “Participamos desse evento todos os anos trazendo sementes para troca com os agricultores. Esse intercâmbio é importante para garantir que as famílias tenham acesso às sementes crioulas e para preservar variedades que muitas vezes estão se perdendo”, comentou.

Sabores da agricultura familiar
A programação também incluiu a preparação de alimentos produzidos pelas próprias famílias agricultoras da região.
A cozinheira Irene Reis da Silva, moradora da Linha Tesoura, interior de Seberi, participa da atividade desde a primeira edição do evento e foi responsável pela preparação da polenta servida aos participantes. “Sou responsável pela polenta desde a primeira festa da semente. Hoje estamos preparando cerca de 100 quilos de polenta com farinha ecológica. Se queremos ter qualidade de vida, precisamos cuidar daquilo que comemos. A saúde entra pela boca”, disse Irene..

Investimentos ampliam produção agroecológica
A assinatura do convênio ocorre em um contexto de ampliação dos investimentos da Fundação Banco do Brasil em iniciativas ligadas à agroecologia em Seberi. Nos últimos anos, a instituição tem apoiado projetos voltados à organização da agricultura familiar, à produção de bioinsumos e ao fortalecimento de redes de produção e comercialização. Entre os investimentos está a construção da biofábrica de bioinsumos Geasol, instalada na área da Cooperbio. O projeto recebeu cerca de R$ 7 milhões da Fundação Banco do Brasil e tem como objetivo produzir fertilizantes biológicos, inoculantes e outros insumos naturais utilizados na produção agroecológica. A estrutura está em fase final de implantação e a previsão é de que a unidade esteja concluída até o final do primeiro semestre de 2026. O presidente da Fundação Banco do Brasil, André Castelo Branco Machado, conheceu a estrutura da biofábrica de bioinsumos Geasol, durante visita guiada pelo diretor do MPA, Leandro Leal, e pela presidente da Cooperbio, Luana Pigozzi, que mostraram o andamento das obras da fábrica, que tem capacidade para empregar 18 funcionários. 

Com os novos convênios firmados por meio do Programa Ecoforte, os investimentos reforçam o apoio à transição agroecológica na região. As iniciativas buscam ampliar a autonomia produtiva das famílias agricultoras, fortalecer redes de cooperação e aumentar a oferta de alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos, produzidos pela agricultura familiar.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai, com informações da Fundação Banco do Brasil