O time da Vó Laura
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sexta, 20 de março de 2026

Todo mundo tem seu time do coração. Inclusive quem não gosta de futebol. Todos têm, até mesmo quem prefira ser um monge na Tailândia. Ele estaria por lá há uns 12 anos e não teria noção alguma se o time ganhou algum título nos últimos tempos ou se tomou uma goleada ontem, por exemplo. Mas ele tem o seu time.

Minha finada Vó Laura também tinha o seu time. Mas não dava muita bola para futebol. Ouvia alguma notícia no antigo Correspondente Renner durante o dia nas ondas médias e à noite nas ondas curtas, com chiadeiras para lá e para cá, em vozes que iam e vinham no bom e velho “caixão de abelha”. E não se importava tanto com futebol. Mas tinha o time dela.

Meu filho já tem o time dele. E anda discutindo futebol com os coleguinhas da primeira série, lógico que tudo dentro da educação que procuro diariamente passar para ele. Discussões sadias, para que fique claro. Mas já debatem por lá. Eu oriento para que ele respeite o lado de lá e o gosto de quem torce para o outro time. Aparentemente acho que ele está obedecendo.

Por falar nisso, quando busco meu filho no final da escola ele me conta que “hoje o Mathias disse que nosso time é ruim, mas falei para ele que ruim mesmo é o time dele”. Aí pergunto se brigaram e ele responde que não. Aliás, eles se intitulam melhores amigos. Menos mal, sinal que aquilo que peço em termos de respeito está sendo cumprido.

Dias atrás eu estava em um estabelecimento comercial e o casal, dono do brique, discutia sobre o VAR. Nosso amigo detalhava para ela sobre onde o VAR podia ou não interferir. A discussão era sobre o arremesso lateral que originou o gol de empate do Grêmio diante do Juventude, recentemente. Ele explicou certinho. Ela, resignada, entendeu, mas reclamou do auxiliar. Eles têm seus times e ficou muito claro que são rivais. Foi divertido ouvir eles, lá.

Sobre a polêmica de arbitragem dos Gre-Nais: o cara que é juiz de futebol, seja no campo, seja no VAR, tem seu time. Ninguém que assume essas funções vai parar de simpatizar por seu time, assim, do nada. Eles não vão se desligar como seres humanos e virar robôs. A questão aqui é o caráter de cada um, a boa ou a má intenção em tomar uma decisão. E aqui vale para eles, para eu e você, para a turma do STF, para as nossas mães, não importa. Caráter é muito de cada um. Assim como times. Assim como consciência.

A vida é isso, independente de futebol. Tudo o que fizemos, se for realizado com honestidade e bom senso, na maioria das vezes vai terminar em final feliz. Uma pena que nem sempre é assim e por vezes a teoria é engolida pela prática. E a gente segue, trilhando o caminho do bem. Ah, e sobre o time da Vó Laura, era colorada, embora não desse muita bola. Talvez por isso tenha vivido até os 93 anos.

PAPO DE FÉ

“Porque vivemos pela fé, e não pelas coisas que vemos”.
– 2 Coríntios 5:7
 

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